terça-feira, março 02, 2010

O anel de prata redondo com uma pedra preta!

Hoje estava um dia bonito. Sol e algumas nuvens brancas assombravam de vez em quando o chão e desenhavam ora claro ora mais escuro o caminho até à Estação de comboios. Gosto de ir passear até à estação e simplesmente sentar-me na esplanada a beber um café, a desenhar e a observar toda aquela movimentação de quem parte e quem chega! Reflexo de vida ou como na vida: de Chegadas e partidas!

Desenhei, bebi o meu café e dirigi-me de volta para casa quando justamente no momento em que atravessava a passadeira junto da paragem do autocarro, da avenida Lourenço Peixinho fui assombrado pelo escuro.
Por uns breves e instantes momentos, pensei numa grande e escura nuvem que passaria no céu naquele momento. Mas não, por detrás de mim umas mãos taparam-me os olhos suavemente deixando-me completamente indefeso….não sabia quem era e a breve escuridão prolongou-se numa possível agradável surpresa…a escuridão tomou conta de mim, da minha visão, do meu corpo…tinha sido invadido por alguém que se deliciava confortavelmente pelo poder momentâneo.

Toquei-lhe nas mãos na tentativa de perceber quem era, um anel de pedra redondo esfreava os dedos estreitos e quentes que me levaram a pensar em alguém do sexo feminino…virei-me e um sorriso estridente aconchegou-me nos braços uma saudade que já a muito que se fazia sentir. Surpreendido não queria perder mais tempo na história de como essas mãos teriam repentinamente chegado a Portugal e como surpreendentemente se tinham cruzado com os meus olhos numa estação de comboios. Aproveitámos o dia de sol para passear de bicicleta, fomos até à zona mais rural da cidade onde está o miradouro que banha toda a ria e ainda à fabrica de azulejos…
O sol começava-se a pôr e a fundida luz da minha bicicleta dificultava o transporte de ambos na frágil pasteleira. Apesar das dificuldades, nada dissemos, só queríamos estar o mais próximo um do outro. Quase a chegar à pastelaria umass luzes de um carro buzinavam insistentemente por detrás, desviei-me para a berma da estrada para que o carro passasse sem nos atingir…mas estranhamente continuava a buzinar revelando a cada sonido uma raiva acumulada e impaciente…Olhei para trás na tentativa de perceber o que se passava…Mas as luzes cegaram-me de tal forma que automaticamente coloquei as mãos aos olhos para aliviar a dor da força das luzes! A dor teimava em não desaparecer e as mesmas mãos que antes me tinham tapado os olhos tentavam agora aliviar o sofrimento causado pela luz do carro….

Assim que a dor passou, as mãos de uma elegante senhora guiaram-me para fora da estrada, para fora da passadeira, para junto da paragem de autocarro da avenida Lourenço Peixinho. Sem perceber bem o que se passava olhei em redor e uma multidão de gente surpreendida mirava-me sem também perceber o que me tinha acontecido. O condutor do que, afinal não era um carro mas sim um autocarro, pode finalmente largar na paragem os furiosos passageiros que esperaram pela dor dos meus olhos! A elegante senhora preocupada colocou-me a mão no ombro e perguntou-me se estava tudo bem, reparei no anel de prata redondo com uma pedra preta que tinha….

Atordoado sem perceber o que me tinha acontecido, agradeci-lhe, atravessei a passadeira e continuei a pé o meu caminho para casa!

O poder das memórias que nos trazem quem retido fica no nosso coração, cega-nos a Alma de saudade…

2 Comments:

Anonymous Anónimo said...

Fabuloso!
Jassa

março 02, 2010  
Anonymous Teresa Campos said...

Maravilhoso...

novembro 29, 2011  

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